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Alexander von Humboldt: O Mais Famoso Desconhecido da Ciência



Você já ouviu falar de Alexander von Humboldt ? Se não, prepare-se para conhecer um dos maiores "popstars" científicos do século XIX, um explorador, naturalista e pensador cujas ideias moldaram nossa compreensão do mundo e lançaram as bases para a ecologia e o ambientalismo. Apesar de sua imensa fama em vida – alguns contemporâneos diziam que ele só era menos conhecido que Napoleão – ele é, paradoxalmente, "o mais famoso desconhecido da ciência" hoje.


Uma Mente Inquietante e Pioneira



Nascido em Berlim, na Prússia, em 1769, Alexander von Humboldt pertencia a uma abastada família aristocrática. Desde cedo, ele demonstrava uma paixão por colecionar e catalogar plantas, conchas e insetos, o que lhe rendeu o apelido de "o pequeno boticário". Diferente de seu irmão mais velho, Wilhelm, que era um estudioso sério, Alexander era aventureiro e gostava de estar ao ar livre.

Sua mãe tinha grandes ambições para ele e Wilhelm no funcionalismo público, mas Alexander, apesar de ocupar um cargo de inspetor de minas na Prússia, dedicava-se intensamente aos estudos científicos e experimentos, chegando a eletrocutar rãs e até a própria pele em sua pesquisa sobre galvanismo. Essa fase o revelou um workaholic, que inventou máscaras respiratórias e lâmpadas para os mineiros, escreveu livros-texto e fundou uma escola de mineração.

A morte de sua mãe em 1796 liberou uma herança significativa, permitindo que Humboldt finalmente dedicasse-se totalmente à ciência e à sua grande paixão: a exploração.


A Redescoberta Científica da América Latina (1799-1804)



Após anos de preparação e busca por patrocínio na Europa, Humboldt, acompanhado do botânico e médico francês Aimé Bonpland, obteve uma permissão sem precedentes do rei Carlos IV da Espanha para explorar as colônias espanholas nas Américas. Esta jornada, de 1799 a 1804, foi celebrada como a "segunda descoberta científica da América do Sul".

Durante cinco anos, Humboldt e Bonpland viajaram extensivamente, cobrindo cerca de 9.650 km a pé, a cavalo ou em canoas. Eles passaram por:


Venezuela (1799-1800): Desembarcaram em Cumaná. Humboldt explorou o rio Orinoco e seus afluentes, estabelecendo a existência do canal Casiquiare (uma ligação entre os sistemas fluviais do Orinoco e do Amazonas). Foi aqui que ele fez observações cruciais sobre o impacto do desmatamento para a agricultura na queda do nível da água do Lago Valência, uma das primeiras descrições científicas da mudança climática induzida pelo homem;

Cuba (1800, 1804): Humboldt realizou pesquisas científicas e sociais, sendo considerado o "segundo descobridor de Cuba";

Os Andes (1801-1803): No que hoje é a Colômbia, Equador e Peru, eles escalaram vulcões como o Pichincha e o Chimborazo, alcançando altitudes recordes para a época (19.286 pés no Chimborazo). Essas escaladas foram fundamentais para suas observações sobre a distribuição da vida orgânica em diferentes altitudes, um conceito inovador na época;

México (1803-1804): Ele estudou o calendário asteca, as minas de prata (como a de Valenciana, Guanajuato) e produziu mapas precisos. Seu Ensaio Político sobre o Reino da Nova Espanha foi amplamente lido.


Humboldt coletou e registrou informações sobre 60.000 exemplares de plantas, sendo 6.300 espécies até então desconhecidas pelos europeus. Ele é creditado como fundador de disciplinas como a geografia física, climatologia, ecologia e oceanografia. Sua metodologia, conhecida como "ciência humboldtiana", enfatizava a medição meticulosa e sistemática de fenômenos com os instrumentos mais avançados disponíveis, observando espécies in situ e notando suas inter-relações.


O Pai da Ecologia e do Ambientalismo


As observações de Humboldt sobre o impacto humano no meio ambiente foram radicais para sua época. Ele percebeu que o desmatamento levava à queda do nível da água e que certas espécies, como as palmeiras buritis nos Llanos, eram "espécies-chave" para a manutenção do ecossistema. Essas ideias, combinadas com uma visão holística da natureza, o levaram a ser reconhecido como "o pai da ecologia" e "o pai do ambientalismo".

Sua amizade com o poeta Johann Wolfgang von Goethe e o conhecimento tradicional dos indígenas e colonos também influenciaram sua percepção da natureza. Ele visualizava a Terra como um "organismo vivo" onde tudo está interligado, uma percepção que hoje é fundamental para a ciência ambiental.


Influência Duradoura de Humboldt se estendeu muito além da ciência:


Artes Visuais: Ele impulsionou a prática de "artistas viajantes", incentivando pintores como Johann Moritz Rugendas, Ferdinand Bellermann e Eduard Hildebrandt a explorarem e registrarem a natureza americana. Nos Estados Unidos, sua obra inspirou paisagistas como Frederic Edwin Church, cuja famosa pintura Heart of the Andes (1859) foi uma "extrapolação pictórica" do mapa de geografia de plantas de Humboldt e destacou o Chimborazo como "a Montanha de Humboldt".

Outros Cientistas: Sua narrativa de viagem influenciou profundamente Charles Darwin, que o considerava o "maior viajante científico que já viveu". Humboldt também apoiou financeiramente e mentorou jovens cientistas como Justus von Liebig e Louis Agassiz.

Política: Humboldt encontrou-se com figuras como o presidente dos EUA, Thomas Jefferson, com quem discutiu ciências e política, e o libertador venezuelano Simón Bolívar, que o considerava o "verdadeiro descobridor da América do Sul". Ele também se opôs à escravidão e advogou pela emancipação dos judeus e pelos direitos dos povos indígenas.


O Grande Afresco do Kosmos


Click na imagem para baixar a obra !
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Em seus últimos anos, Humboldt dedicou-se à sua obra-prima, "Kosmos. Esboço de uma Descrição Física do Mundo", uma série de cinco volumes. Ele ressuscitou o uso da palavra "cosmos" do grego antigo para descrever sua visão holística do universo, buscando unificar diversos ramos do conhecimento científico e cultural. Ele queria que a obra, em suas próprias palavras, produzisse "uma impressão como a própria Natureza": uma corrente contínua entre fauna, flora, relevo, correntes oceânicas e atmosfera.

Humboldt morreu pacificamente em Berlim em 6 de maio de 1859, aos 89 anos, enquanto trabalhava no quinto volume do Kosmos.


Legado Imortal


Sua fama foi tão grande que inúmeras espécies, características geográficas e lugares foram nomeados em sua homenagem, incluindo o pinguim-de-humboldt, a corrente de Humboldt e o Mare Humboldtianum na Lua. A Fundação Alexander von Humboldt, criada após sua morte, continua seu legado de apoio a jovens acadêmicos e pesquisadores de todo o mundo.

As ideias de Humboldt, que caem no Enem, tornaram-se tão senso comum que ele se tornou um "cientista popstar" que poucos conhecem hoje. No entanto, suas previsões sobre o aquecimento global e sua defesa da natureza se tornam cada vez mais relevantes. Em 2012, pesquisas compararam a distribuição contemporânea de plantas com os registros de Humboldt no Chimborazo, mostrando que 51 espécies podem ser encontradas em altitudes médias 675 m maiores devido ao aumento das temperaturas, e as geleiras encolheram 400 m.

Humboldt nos lembrou que "a natureza em si é sublimemente eloquente". Relembrar sua vida e obra é crucial para entender não apenas o passado da ciência, mas também os desafios ambientais urgentes do nosso presente.



 Sobre o Autor do Post:

Geógrafo com Mestrado em Engenharia Cartográfica, Doutorado em Geociências e Pós-Doutorado na Arquitetura/Urbanismo e na Geografia. Minha jornada é guiada pela paixão por mapas e suas tecnologias, explorando a representação do espaço de maneira moderna e inovadora. Integrando Geotecnologias no contexto da Ciência, meu objetivo é compartilhar conhecimento e conteúdo promovendo uma melhor compreensão do mundo em que vivemos para um futuro mais sustentável. 

  📌 Este texto foi elaborado com apoio da ferramenta de Inteligência Artificial ChatGPT (OpenAI), utilizada para auxílio na redação e revisão do conteúdo. 


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